Casa na Quinta da Moura
Descrição
Acabada uma casa anterior, o cliente da mesma recomenda-nos a um casal amigo: trata-se agora de uma residência permanente, na região de Lisboa, para um casal com 3 filhos ainda pequenos.
Como na maior parte dos casos que temos desenhado, em loteamentos do nosso país suburbano, as regras são mais ou menos standard e universais: casas no centro com uma tira livre à volta (afastamentos).
Este terreno em particular, com cerca de 800 m2, situa-se numa condição topográfica em cova, de onde não existem perspectivas visuais particularmente interessantes. Está no enfiamento visual de uma via de atalho aos percursos diários para Lisboa e acaba por ser visualmente muito devassado.
Cedo no projecto se procurou a privacidade da casa, construindo todo o polígono.
A vista foi procurada a duas cotas: uma para baixo, de relação de proximidade com o jardim e a piscina, e outra para cima, mais abstracta e distante, com o céu. A própria casa constrói parte da sua vista, funcionando como filtro, entre uma nova relação dentro/fora.
Estudou-se a possibilidade de escavar o interior do volume edificável e capturar para dentro uma relação com o espaço exterior. A noção de interior fica ambígua. Expande-se até ao limite do polígono, mas a sua maior parte fica na rua. Há um novo “fora-dentro” interior, que recentra a vida da casa na sua espessa e facetada pele de transição, que domina a vida da habitação.
O volume final, roído por dentro, mantém o seu limite.
Sempre que desenhamos uma casa, há outras que nos vêm à mente. Insistentemente aflora a memória da Casa Beires de Siza, dos anos 70.
Ficha Técnica
Oeiras, Portugal
350 m2
ARX Portugal, Arquitectos lda.
José Mateus
Nuno Mateus
Alexandra Margaça
Estruturas
SAFRE, Projectos e Estudos de Engenharia Lda.




































