Escola Superior de Saúde de Setúbal

Descrição

O local para a futura construção desta Escola é um território estranho. E é estranho porque, tal como outros que já enfrentámos no passado, é um espaço urbano residual entre realidades díspares e de certo modo problemáticas. É um terreno bastante alongado, acompanhado pela linha de combóio a poente, o estacionamento do Instituto do Emprego a nascente, uma zona de futura expansão urbana ainda sem parâmetros de definição no topo norte, e, a sul, uma pequena azinhaga a partir da qual se processa a entrada no lote, bastante estrangulada.

Tendo em conta o ruído originário da linha de caminhos de ferro e as dúvidas quanto à evolução da envolvente, partimos do pressuposto que desenharíamos um edifício virado para o seu mundo interior. Duas referências estiveram presentes, uma de carácter tipológico, o convento, e outra de natureza abstracta, o geode. O primeiro interessa-nos enquanto estrutura organizada em torno de claustros, propícia ao recolhimento próprio de uma vida de estudo e ensino. O geode interessa-nos enquanto pedra de aparência rugosa indiferenciada, desinteressante por fora, mas que oculta um inesperado interior oco e cristalino. Dado que a aproximação ao edifício se faz a partir de cima, encarámos ainda a concepção da cobertura de forma equivalente aos restantes alçados.

A Escola é então um edifício estruturado em torno de 3 pátios ( institucional/entrada – central/biblioteca – norte/associação de estudantes) sendo o do meio quase totalmente fechado e os dos extremos semi-abertos, “acolhendo“ quem ali chega. As coberturas e paredes exteriores do edifício são opacas ostentando apenas janelas/clarabóias, que se apresentam como “sulcos“ na sua textura levemente rugosa. Nos pátios, porém, a realidade muda bruscamente. Todas as paredes são vítreas, dotadas de graus variáveis de permeabilidade, que sublinha uma atmosfera de Escola, simultaneamente intensa e intimista. Ao anoitecer, estes “ôcos“ internos irradiam luz e uma multidão de silhuetas e sombras humanas, em diferentes posturas, parecem ter sido “retiradas“ de um teatro de sombras chinesas.

Ficha Técnica

Dono de Obra
Instituto Politécnico de Setúbal
Localização

Azinhaga dos Trabalhadores, Setúbal, Portugal

Concurso
2002 - 1º Prémio
Projecto
2003 - 2004
Área

12.250 m2

Arquitectura

ARX Portugal, Arquitectos lda.

José Mateus

Nuno Mateus

Colaboradores

Paulo Rocha, Stefano Riva Andreia Tomé, Clara Martins, Marco Roque Antunes, Pedro Alves, Pedro Dourado, Pedro Sousa, Tânia Pedro, Francisco Marques

Arquitectura Paisagista

GLOBAL, Arquitectura Paisagista Lda.

Estruturas

TAL PROJECTO, Projectos, Estudos e Serviços de Engenharia Lda.

Instalações e Equipamentos Eléctricos e de Telecomunicações, Segurança Integrada

AT, Serviços de Engenharia Electrotécnica e Electrónica Lda

Instalações e Equipamentos Mecânicos

PEN, Projectos de Engenharia Lda.

Instalações e Equipamentos de Águas e Esgotos

AQUADOMUS, Consultores Lda.

Fotografia

ARX PORTUGAL, Arquitectos Lda.