Museu do Chiado

Descrição

O Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, tal como o conhecemos hoje, resultou de sucessivas ampliações por adição de novos edifícios que, ao longo dos tempos, foram estando disponíveis na sua vizinhança. Se em termos de imagem resulta num problema de identidade – o que é de facto o edifício do Museu, e qual a sua natureza? –, um tão alongado e fragmentado conjunto, marcado pela existência de entradas em extremos opostos – uma delas partilhada com o Museu da PSP –, e por grandes distâncias, caminhos sinuosos e inúmeros desníveis por resolver, dificilmente poderia escapar à sua condição actual: uma extrema complexidade de percursos – na generalidade confusos e problematizadores, tanto de públicos como de serviço e de transporte de obras –, falta de racionalidade e mau aproveitamento das áreas. Carece de um pensamento global.

Assim, seriam estes os primeiros e grandes desafios que se colocavam aos concorrentes do concurso organizado para escolher o projecto de remodelação e extensão do Museu, para lá da necessária ampliação das áreas e do controle adequado das condições de classificação, tratamento e exposição das obras: como reformular e racionalizar devidamente os circuitos internos do Museu? Onde se deve localizar a entrada pública – que é também a cara – e de obras? Qual será a expressão urbana do Museu, a linguagem da sua arquitectura, enquanto identidade pública?

Optou-se pela solução mais racional de colocação da entrada – de público e acesso de obras – no centro geométrico do conjunto das suas partes, reduzindo assim distâncias ao mínimo, aumentando simultaneamente a articulação fluida com as várias partes internas. Propôs-se substituir o edifício passível de demolir na Rua Serpa Pinto por um novo, de desenho totalmente livre que, além de funcionar como peça-chave do conjunto, incorporará a entrada do público através de um átrio com a eloquência, a escala e a dignidade próprias de um Museu Nacional. Neste novo corpo central, localiza-se ainda o acesso de obras para as reservas e exposições temporárias, directamente acessíveis através de portões, elevadores e escadas de serviço.

Simplicidade e monumentalidade, foram temas de reflexão. São qualidades simultaneamente necessárias para a cuidadosa integração deste novo edifício na especificidade do contexto urbano em que se insere, enquanto peça agregadora de um conjunto fragmentado, mas também por se tratar de um Museu Nacional. Essa ideia de monumentalidade exprime-se através de um grande corpo maioritariamente opaco, cujo desenho é fundado na robustez – e alguma monumentalidade – do muro e dos volumes dos restantes edifícios que compõem o Museu, tanto na Rua Capelo como na Rua Serpa Pinto – projectado por Wilmotte.

Através da subdivisão da sua volumetria em altura com camadas matéricas distintas, definidas pelo posicionamento de frisos (lioz/cobre) que se prolongam dos edifícios envolventes do Museu, obtém-se uma leitura de continuidade entre as partes, que favorece a unidade do conjunto. Unidade e integração, que são qualidades aprofundadas nesta proposta também no interior, onde a identidade global do conjunto obriga também a uma profunda reflexão, seja em termos de percursos funcionais, mas também em termos de atmosfera visual e perceptiva.

Ficha Técnica

Dono de Obra
Património Cultural, IP
Localização

Rua Serpa Pinto, Lisboa

Concurso
2024 - 2º Lugar
Área

5.300m2

Arquitectura

ARX Portugal, Arquitectos lda.

José Mateus

Nuno Mateus

Colaboradores

Ana Gregório, António Correia, Carlota Tavares, Cristiana Barata, Diogo Câmara, Eduardo Oliveira, Rodrigo Alves

Museografia

Adelaide Ginga

Estabilidade

Betar

Hidráulica

Betar

AVAC

ProM&E Consulting

SCIE

José Carlos Correia

Visualizações 3D

atelier IMAJ